Idealizado pelo pianista Benjamim Taubkin, o projeto Encontro Latino encerra o festival Todos os Cantos do Mundo, dias 24 e 25 de setembro, no Sesc Pompéia, com o show América Contemporânea - Um Outro Centro. O espetáculo vai reunir num mesmo palco músicos de oito países latino americanos e participação especial de José Miguel Wisnik. Realizado pelo Sesc SP, Todos os Cantos do Mundo tem direção artística da cantora Fortuna e está em sua sexta edição

O instrumentista Benjamim Taubkin realiza um antigo sonho, o de tocar no mesmo palco com artistas sul-americanos de diferentes nacionalidades. As apresentações acontecem dias 24 e 25 de setembro, no Sesc Pompéia, no espetáculo América Contemporânea - Um Outro Centro, que faz parte do projeto Encontro Latino. Taubkin tocará ao lado da cantora Lucia Pullido (Colômbia), do saxofonista e flautista Alvaro Montenegro (Bolívia), do violonista Aquiles Baez (Venezuela), do percussionista Luis Solar (Peru), do multi-instrumentista e cantor Carlos Aguirre (Argentina), do percussionista Ari Colares (Brasil) e do contrabaixista Christian Galvez (Chile). Ao grupo se juntarão o rabequeiro pernambucano Siba. Os shows terão ainda a participação especial de José Miguel Wisnik em duas músicas.

"Cada edição do festival é um desafio. Este ano o diálogo entre artistas brasileiros e internacionais tem uma programação dedicada à América Latina, um continente ao mesmo tempo próximo e distante de nós brasileiros. A escolha do Benjamim não foi à toa, porque ele é um artista que tem consciência da importância desse diálogo", afirma Fortuna.

Os instrumentistas vão se encontrar num mesmo palco pela primeira vez. Cada um deles trará uma música representativa de seu país. O encontro será gravado e vai resultar num CD. "A diversidade e a riqueza da música feita na América do Sul é impressionante. A Colômbia, por exemplo tem uma música fantástica, e não só a tradicional, mas a pop, moderna, eletrônica, contemporânea. O Peru, também. A riqueza é muito maior do que a gente imagina, isso em todos os níveis", afirma Benjamim Taubkin.

América Contemporânea Um Outro Centro é resultado de cinco anos de contato com a música desses países. Apesar de sempre se interessar pelo que era produzido no Cone Sul, Benjamim Taubkin aproximou-se mais desse universo a partir de 2001, quando passou a ser curador do Mercado da Bahia, que prioriza o diálogo musical com artistas do continente. De lá pra cá, Taubkin ouviu mais de 600 CDs e ficou impressionado com a qualidade do material. Em 2003, visitou cada um desses países para manter contato e dialogar com os músicos.

"A verdade é que a gente só tem informações impessoais desses lugares. O Brasil não tem correspondente em nenhum país da América do Sul. Tudo o que ficamos sabendo é por meio de agências internacionais, que geralmente só mostram o lado exótico. Nesses lugares tem sofisticação também. Tem música viva, criativa. Com tradição, sim, mas de olho no futuro", avalia Benjamim.




NA IMPRENSA  
------------------------------------------------------------------------------------------------------

   
PERFIL DOS MÚSICOS  
------------------------------------------------------------------------------------------------------

Alvaro Montenegro

Compositor, flautista e saxofonista, Alvaro Montenegro é uma das figuras mais ativas do cenário musical boliviano. Começou a estudar música aos 8 anos por influência da família; seu pai era violinista e sua avó pianista. Estudou nos Estados Unidos e Nicarágua. chegando a integrar, de 1986 a 1989, a Orquestra de Câmara da Nicarágua.
Como compositor, fez trilhas de filmes, peças de teatro e espetáculos de dança. Suas composições vêm sendo executadas por importantes orquestras como a Orquestra Sinfônica de Cuba e Orquestra Sinfônica da Bolívia e sendo apresentadas nos principais festivais pelo mundo. Versátil, passeia pelos diversos gêneros - do jazz ao rock, do clássico ao pop. .Como integrante de dezenas de orquestras tem transitado pelos repertórios de diferentes tempos e lugares. Em 1998 lançou o CD Música Latino Americana del Siglo XX em parceria com o guitarrista japonês Gentaro Takada. Em 2001, lançou El Parafonista, que impulsionou a criação da banda Parafonista, um sexteto de fusão latino-americana contemporânea. Com a banda lançou Los Frutos Prohibidos e República.



Aquiles Báez

Violonista, arranjador e compositor venezuelano. Sua característica é criar um único som ao misturar ritmos latino-americanos com harmonias sofisticadas. Com cinco discos gravados, vem colaborando com artistas como Paquito de Rivera, Farred Haque, John Patitucci, Ilan Chester, Mike Marshall, Gioria Feidman e tem participado de concertos como Ensamble Gurrufio, Worlds of Guitars e Boston Symphony, Simon Bolívar e Bach Academy Orchestras. Aquiles Báez ganhou o "Prêmio Nacional de Melhor Artista do Ano na Venezuela"; o William Leavitt Award at Berklee College of Music e outros prêmios pelas suas trilhas para teatro, cinema e espetáculos de dança. Ministra workshops para universidades dos Estados Unidos e Europa. Atualmente mora em Nova York.

Ari Colares
Percussionista e professor, há 25 anos se dedica ao estudo, à prática e ao ensino de percussão brasileira. Leciona no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, USP e Anhembi Morumbí.
Já tocou com Naná Vasconcelos, Egberto Gismonti, etc. É músico da Orquestra Popular de Câmara, dirigida por Benjamim Taubkin e do grupo A Barca. Toca ainda com Mônica Salmaso e no Palavra Cantada com Sandra Peres e Paulo Tatit.






Benjamim Taubkin


Pianista, compositor, arranjador e produtor musical, além de curador de importantes concursos musicais, vive, pesquisa e "filosofa" música.
Foi um dos idealizadores da Associação Brasileira da Música Independente, criou o legendário Fórum da Música Independente e dirige o selo Núcleo Contemporâneo, um reduto de peso para a música independente no país. Começou a estudar piano aos 18 anos. Autodidata, fez intercâmbios com músicos experientes, aprendendo diretamente com eles. Inquieto, pesquisou ritmos brasileiros contribuindo para a divulgação da cultura popular nacional e investiu na diversidade de atuações e frentes, transitando do jazz ao choro, passando pelo popular e pela música de câmara, seja em duo, quarteto ou orquestra. Como produtor desenvolveu projetos de música erudita e música instrumental brasileira. Em 2004 lançou Moderna Tradição, CD dedicado a releituras de clássicos do choro, revivendo Jacob, Garoto, Nazareth e, especialmente, Pixinguinha. Segundo o jornal americano New York Newsday "Benjamim Taubkin tem um ágil, jazzy toque ao piano, confortável com tudo, do samba ao pop" e do New York Times "Seu som é ao mesmo tempo simples e sofisticado".


Carlos Aguirre

A tradição musical argentina, rica em gêneros e estilos típicos (huaino, zamba, chacarrera e huella, entre outros),é o ponto de partida para as composições de Carlos Aguirre. Cantor, pianista, guitarrista, acordeonista e compositor, extrai do material popular e folclórico de seu país canções emotivas e tranqüilas apoiadas em sonoridade contemporânea ao incorporar elementos de outras músicas do mundo. É o próprio Aguirre que compõem quase tudo o que toca e canta. Sua simplicidade e refinamento ficam evidentes na forma delicada que conduz o violão e na voz discreta e afinada. Suas
letras são acompanhadas de breves poemas ou comentários que introduzem o espírito da música ao som do piano, guitarra e acordeon. Como compositor compõe peças para piano e também para teatro e curtametragens. Desde 2002 coordena o projeto "Compositores de nuestro país" que tem como convidados importantes músicos argentinos.
Junto com Luis Barbiero possui um projeto de gravadora independente.


Christian Galvez

Com destacadas participações nos principais festivais de jazz e world music, o baixista chileno Christian Galvez tem três discos gravados - Christian Galvez (2000), Cero (2002) e Dinâmica solista (2004).
Participou de produções e gravações de importantes artistas internacionais: Joe Vasconcellos (Chile), Luis Salinas (Argentina), Fareed Haque (Estados Unidos), Bruce Hart (Estados Unidos), entre outros. Professor de música lecionou para diversas escolas no Chile e dá clinicas para países como Argentina, México e Brasil. Com Jorge Diaz (guitarra), Lautaro Quevedo (teclados), Rodrigo Gálvez (bateria) e Cláudio Ortuzar (percussão) criou a banda Gálvez Quinteto. Atualmente é diretor musical da Pez Produções.


José Miguel Wisnik

Músico, compositor, instrumentista, escritor, crítico, professor e ensaísta, Wisnik é paulista de São Vicente. Estudou piano clássico e apresentou-se pela primeira vez aos 17 anos como solista da Orquestra Municipal de São Paulo. No fim da década de 60 começou a escrever suas próprias canções com destaque para "Outra Viagem" interpretada no Festival Universitário da TV Tupi por Alaíde Costa. Suas canções foram gravadas por diversos artistas, entre eles Zizi Possi, Vânia Bastos, Edson Cordeiro, Ná Ozzetti e Eliete
Negreiros. Tem três discos gravados, livros e ensaios publicados. Além disso, Wisnik fez também música para cinema (Terra Estrangeira -1996, de Walter Salles Junior e Daniela Thomas), teatro e dança. Ganhou prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, além de um prêmio Jabuti, entre outros.

Lucia Pulido

Cantora colombiana, canta desde a música tradicional de seu país até jazz. Por mais de treze anos foi parceira do cantor e compositor Ivan Benevides com a dupla "Ivan e Lucia". Gravaram três discos e fizeram turnê pela Espanha, Inglaterra, Colômbia e Equador. Seu trabalho desde sua chegada a Nova York em 1994 é focado nos ritmos tradicionais
colombianos. No ano seguinte gravou seu primeiro CD solo Lucia (selo Sonolux). Com agenda lotada, tem realizado apresentações em teatros, universidades e clubes dos Estados Unidos e participado de vários e importantes festivais em Nova York. É constantemente convidada para participar de concertos e gravações especiais em CDs de músicos de jazz como Ed Simon, Erik Friedlander, Dave Binney e Fernando Tarrés. Seu mais recente CD é Dolor de Ausencia. Atualmente, Lucia está se dedicando a projetos com músicos em Nova York e de países da América Latina: um, experimental, com o guitarrista argentino Fernando Tarrés, baseado em canções tradicionais da Colômbia e Argentina; a gravação do CD Pure and Impure de Erik Friedlander, baseado em poemas de poetas colombianos; além do projeto do seu novo disco, baseado na música tradicional colombiana com arranjos contemporâneos. Sua agenda ainda é dividida com apresentações que faz na Europa, Estados Unidos e América Latina.


Luis Solar Narciso

Percussionista peruano que durante 15 anos fez apresentações nacionais e internacionais com o grupo Peru Negro. Tocou com importantes nomes da música como Nestor Torres, Luis Salinas, Paquito de Rivera y Eva Ayllón, entre outros. Participou do CD Acuarela de Tambores de Alex Acuña, que concorreu ao Grammy 2002. Atualmente Luis Solar Narciso é integrante do grupo Wayruro e da Grand Banda de Jean Pierre Magnet.


 

 

Siba

Músico de Nazaré da Mata, Zona da Mata de Pernambuco. Integrante da banda Mestre Ambrósio, mudou-se para São Paulo no início dos anos 90, mas alguns anos depois, retornou à sua cidade natal onde vem explorando novas possibilidades estéticas para a ciranda e para o maracatu, dando dessa forma vitalidade e juventude às raízes nordestinas. Lá convocou uma trinca de cantores-percussionistas (Biu Roque, Mané Roque e Manoel Martins) para lançar seu primeiro CD solo Fuloresta do Samba. O parentesco com Mestre Ambrósio é natural pela voz peculiar de Siba e o formato das canções (percussão, trombone, trompetes e vozes), mas ao mesmo tempo diferencia-se da banda nos sons ancestrais que produzem, sem influências contemporâneas, e que nos leva a um Brasil mais Rural e mais simples, porém carregado de sutilezas rítmicas e poéticas. Som puro e tradicional. Um mergulho radical na ciranda e no maracatu de raiz.